Páscoa Ortodoxa 2026
Por Tasos Kokkinidis (texto adaptado e organizado)
A contagem regressiva para a Páscoa Ortodoxa Grega — a “Festa das Festas” — tem início em 23 de fevereiro de 2026, com o amanhecer da Katharí Deftéra (Segunda-feira Limpa). Este dia marca o fim das Apókries (carnaval) e o começo da Sarakostí, a Santa e Grande Quaresma, tempo de preparação espiritual e corporal para a Semana Santa e a luminosa Ressurreição de Cristo.
Se em 2025 houve a rara coincidência de celebração conjunta da Páscoa no Ocidente e no Oriente, em 2026 as datas serão distintas: o mundo católico celebrará a Páscoa em 5 de abril, enquanto a Igreja Ortodoxa Grega celebrará a Santa Páscoa em 12 de abril.
Calendário quaresmal de 2026
23 de fevereiro — Katharí Deftéra (Segunda-feira Limpa)
A Grande Quaresma não começa como simples tristeza, mas como purificação e recomeço. Na tradição grega, este dia é marcado pelo voo de pipas, pelo consumo de lagána (pão quaresmal) e frutos do mar, e pela passagem da alegria exterior do carnaval à sobriedade interior da ascese.
23 de fevereiro a 4 de abril — Sarakostí (Grande Quaresma)
Embora se fale em “quarenta dias”, o caminho pascal se estende por um período maior, culminando com a Semana Santa. É um tempo de jejum, oração, arrependimento e renovação interior, frequentemente descrito na tradição ortodoxa como uma “tristeza luminosa” (χαρμολύπη).
Durante esse período, os fiéis se abstêm de carne e laticínios, e também de peixe na maior parte dos dias (com exceções litúrgicas, como o Domingo de Ramos), para que o corpo acompanhe o movimento de conversão da alma.
As Saudações à Theotokos (Chairetismoí) e o Hino Akáthistos
Nas primeiras cinco semanas da Quaresma, as noites de sexta-feira são dedicadas à Virgem Maria, com o canto das Saudações (Chairetismoí) e, ao final, do Hino Akáthistos completo.
Datas em 2026
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6 de março — 1º Serviço de Saudações
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13 de março — 2º Serviço de Saudações
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20 de março — 3º Serviço de Saudações
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27 de março — 4º Serviço de Saudações
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3 de abril — Hino Akáthistos (canto integral)
A ponte para a Semana Santa
4 de abril — Sábado de Lázaro
A ressurreição de Lázaro, em Betânia, é celebrada como uma profecia em ato, prenunciando a vitória de Cristo sobre a morte.
5 de abril — Domingo de Ramos
Comemorando a entrada triunfal de Cristo em Jerusalém, as igrejas são adornadas com ramos, e o jejum é mitigado pela tradicional refeição de peixe.
5 a 11 de abril — Semana Santa (Semana da Paixão)
É a semana mais intensa de todo o ano eclesiástico, na qual a Igreja revive, por meio dos ofícios, os últimos dias terrenos do Senhor.
Segunda-feira e Terça-feira Santas
Ênfase nas parábolas, sobretudo a das Dez Virgens, e no chamado à vigilância espiritual.
Quarta-feira Santa
Celebra-se o Santo Óleo (Santa Unção), com unção dos fiéis para cura da alma e do corpo.
Quinta-feira Santa (9 de abril)
No ofício dos Doze Evangelhos, a Igreja contempla a Paixão do Senhor, e o Crucificado é colocado no centro do templo, em profunda compunção.
Sexta-feira Santa (10 de abril)
Dia de luto sagrado. Os sinos tocam lentamente, o Epitáfio (túmulo simbólico de Cristo) é adornado com flores e levado em procissão, em um dos momentos mais tocantes de todo o ciclo litúrgico.
Sábado Santo (11 de abril)
Pela manhã, o ofício da Primeira Ressurreição antecipa a alegria pascal. À meia-noite, na Anástase, a Luz Santa é transmitida de vela em vela, enquanto ressoa o anúncio jubiloso:
“Χριστὸς Ἀνέστη!” — “Cristo ressuscitou!”
12 de abril — Domingo de Páscoa (Santa Páscoa)
Ao final da jornada quaresmal, as famílias se reúnem para celebrar a Ressurreição com os costumes tradicionais: o cordeiro assado, a quebra dos ovos vermelhos e a alegria comum da Igreja, que proclama a vitória suprema de Cristo — a vida triunfando sobre a morte.

