Filóptokos — Lanche São Nicolau

Associação Beneficente de Senhoras da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau

Desde 1951, o Lanche São Nicolau reúne mulheres de nossa comunidade em torno da amizade, da hospitalidade e do serviço ao próximo. Ao longo de gerações, seus encontros ajudaram a sustentar a Igreja, preservar a herança helênica e amparar pessoas necessitadas. É uma história construída nas casas das associadas, nas mesas partilhadas e no trabalho voluntário de tantas mulheres, com a colaboração de suas famílias e amigos.

O nome Filóptokos expressa essa vocação: o amor e o cuidado para com os necessitados. Na vida de nossa paróquia, ela se manifesta pela convivência fraterna, pelas iniciativas beneficentes e pela disposição de transformar a fé em serviço.

Como nasceu o Lanche São Nicolau

O primeiro Lanche São Nicolau aconteceu em 14 de julho de 1951, na residência de D. Kyriaki Nicolau Spyrides, também registrada como Kiriaki, na Rua Padre Roma, em Florianópolis. Foi ela quem ofereceu a primeira recepção e incentivou a continuidade dos encontros.

Em seu livro Meghísti (Kastelórizo): Ilha Grega entre três Continentes, nossa estimada e saudosa Déspina Spyrídes Boabaid, participante da fundação, preservou a memória dos acontecimentos que deram origem à agremiação.

Naquele período, desenvolvia-se em Florianópolis uma campanha de arrecadação destinada à pesquisa sobre o câncer, proposta pelo médico Laureano Napoleão. As senhoras da comunidade helênica somaram seus esforços à mobilização, experimentando a força da união em benefício de uma causa comum.

Foi nesse contexto que Kyriaki, em conversa com sua filha Déspina, recordou os encontros promovidos pelas senhoras de Blumenau e do Vale do Itajaí, muitas delas descendentes de alemães. Reunidas em suas casas, elas conversavam, trocavam ideias e confeccionavam bordados, peças de tricô e outros trabalhos artesanais. Parte dessa produção era vendida, destinando-se os recursos a obras beneficentes.

A experiência inspirou mãe e filha a imaginar encontros semelhantes entre as mulheres da comunidade grega de Florianópolis. Kyriaki prontificou-se a receber as convidadas e organizar o primeiro lanche, contando com o apoio de Déspina.

A primeira mesa e o início de uma tradição

Para o encontro inaugural, Kyriaki contou com a ajuda de suas filhas Helena, Déspina e Anastácia. A mesa reuniu sabores da tradição grega, como baklavá, kurambiés, kattumári e chalvá, ao lado de receitas aprendidas no Brasil, entre elas manjar de coco, panqueca de banana e doce de abacaxi.

Essa mesa expressava a vida das famílias que haviam trazido consigo a memória da Grécia e construído seu lar em Florianópolis. Os costumes herdados encontravam os sabores e as experiências da terra que as acolhera.

Com a presença de praticamente todas as convidadas, o encontro de 14 de julho de 1951 deu início ao Lanche Semanal São Nicolau e à Agremiação de Senhoras da Comunidade Helênica de Florianópolis. A primeira diretoria, escolhida naquela ocasião, foi formada por Katina Kotzias, Kirana Lucas e Déspina S. Boabaid.

Inicialmente, o grupo reunia sobretudo senhoras ortodoxas e pessoas que falavam a língua grega. Com o tempo, a iniciativa cresceu, ampliou seus vínculos e consolidou sua finalidade beneficente.

As terças-feiras de convivência e solidariedade

Os encontros passaram a acontecer às terças-feiras à tarde, alternadamente na casa de uma das participantes. A anfitriã preparava o lanche e oferecia prendas para sorteios e rifas; também eram realizadas contribuições em dinheiro.

Déspina descreve uma convivência sustentada pela boa vontade, pela compreensão e pela colaboração. As reuniões proporcionavam alegria e apoio mútuo, enquanto reuniam recursos para as necessidades da Igreja e para as ações de assistência.

Maridos, filhos, familiares e amigos também participavam desse esforço. A contribuição de cada pessoa ajudava a manter a iniciativa e fortalecia os laços entre as famílias, inclusive com aqueles que, sem ascendência grega, se aproximavam da comunidade pela amizade e pelo casamento.

As festas e os encontros comemorativos eram ocasiões para compartilhar músicas, danças, receitas e lembranças de Kastelórizo e da Grécia. Assim, o Lanche preservava a herança dos antepassados e a transmitia às novas gerações.

A serviço da Igreja e dos necessitados

Desde sua origem, a agremiação uniu o cuidado com a Igreja São Nicolau à atenção às necessidades sociais. Entre seus objetivos, Déspina registra a manutenção e o embelezamento do templo, o apoio à ação social da Igreja, a participação em campanhas beneficentes, a distribuição de alimentos a famílias carentes e a preservação das tradições helênicas.

Quando a Associação Helênica de Santa Catarina foi reativada, em 1954, a construção da igreja ainda precisava ser concluída. As senhoras intensificaram seu trabalho para colaborar com essa obra. Ao lado dos benfeitores, dos integrantes da Associação e dos demais fiéis, o Lanche contribuiu para que a construção do templo fosse terminada em 1957.

Ao longo das décadas, essa dedicação fez da agremiação um dos sustentáculos da comunidade grega de Florianópolis. A assistência à Igreja e o cuidado com o próximo continuaram a orientar suas atividades.

Hoje, essa missão se expressa também na distribuição de cestas de alimentos, nas visitas a instituições que acolhem idosos e nas ações de apoio a crianças e famílias atendidas pelo Hospital Infantil Joana de Gusmão. Em cada visita, a ajuda material vem acompanhada de atenção, escuta e convivência.

Uma memória que atravessa gerações

A história do Lanche permanece nos relatos, nos nomes e nas fotografias das mulheres que participaram dessa obra. Nosso estimado e saudoso Dr. Paschoal Apóstolo Pítsica, em Memória Visual da Colônia Grega de Florianópolis, preservou registros das senhoras da comunidade e de encontros realizados nas casas das associadas.

Essas imagens, junto ao testemunho de Déspina, permitem reconhecer as pessoas que sustentaram a iniciativa. São mães, avós, filhas, familiares e amigas cujas vidas se entrelaçam com a história da paróquia.

A continuidade desse legado ganhou uma nova expressão em 21 de maio de 2011, quando descendentes da comunidade fundaram a ala jovem, denominada Lanche São Nicolau II. Sua primeira diretoria foi constituída por Lylian Spyrídes Boabaid, presidente; Sonia Atherino Szpoganicz, vice-presidente; e Cristina Kosmos Piazza, tesoureira.

Ao registrar esse acontecimento, Déspina manifestou sua esperança de que as gerações seguintes dessem continuidade à obra iniciada por suas mães e avós.

Na continuidade do Lanche São Nicolau I, destacam-se a dedicação e o serviço de D. Pepa Diamantaras, D. Marlene Mansur e Renata Diamantara Atanasio Gil, na coordenação das iniciativas filantrópicas e sociais, com a colaboração das demais participantes, familiares e amigos.

Fé, hospitalidade e serviço

O Lanche São Nicolau ocupa um lugar querido na vida de nossa comunidade. Seus encontros mantêm amizades, acolhem pessoas, preservam memórias e tornam possíveis gestos concretos de solidariedade.

Ao recordar sua história, agradecemos às mulheres que iniciaram e sustentaram essa caminhada, às que hoje continuam seu trabalho e a todos que colaboram com suas iniciativas. Guardamos em oração a memória daquelas que já adormeceram no Senhor e recebemos com alegria quem deseja participar dessa obra.

Que São Nicolau continue a interceder por todas as senhoras, suas famílias e pelas pessoas alcançadas por seu serviço.

Eterna seja a memória das que nos precederam. Que seu exemplo continue a inspirar nossa comunidade.


Fontes históricas

Texto elaborado a partir do testemunho de Déspina Spyrídes Boabaid, dos registros preservados por Paschoal Apóstolo Pítsica e das informações e notícias publicadas pela Paróquia São Nicolau.

Participar e colaborar

Para conhecer os encontros e conversar sobre como colaborar com o Lanche São Nicolau, entre em contato com a paróquia.

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