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Rua Tenente Silveira, 494 — Centro
Florianópolis/SC — Brasil
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A presença das relíquias de Santa Catarina de Alexandria em nosso Estado constitui capítulo singular da memória religiosa e cultural catarinense. Sua trajetória documentada reúne devoção cristã, identidade histórica, cooperação institucional e frutuoso espírito de convivência eclesial
Este texto apresenta, de forma objetiva e baseada em documentos, os principais eventos conhecidos desde as primeiras iniciativas oficiais, no ano 2000, até os diálogos institucionais realizados em 2026.
Durante a Visita Pastoral de Metropolita Gennadios ao Estado de Santa Catarina, o então Governador Esperidião Amin Helou Filho dirigiu ofício manifestando o desejo de obter para Santa Catarina uma relíquia de sua Padroeira.
No documento, o Chefe do Executivo recorda os vínculos históricos entre o Estado e Santa Catarina de Alexandria e solicita o apoio necessário para que fosse obtida «uma pequena parte das relíquias dos restos mortais de Santa Catarina», destinada à veneração em solo catarinense.
Trata-se do primeiro marco institucional conhecido de todo o processo que culminaria, posteriormente, na vinda da santa relíquia ao Estado.

No registro oficial, o Governador Esperidião Amin está ladeado pelo Arcebispo Gennadios (♰), Metropolita à época, e pelo Monsenhor Nectários Selalmazidis (hoje Arcebispo em Jerusalém). Compõem a ala esquerda Monsenhor Angelos Kontaxis (♰), Protopresbítero Basílio Santos Lima e o então Diácono Pedro Paulo. À direita, figuram o Dr. Paschoal Apóstolo Pítsica (♰), o Pe. Paulo Augusto (atual Dom Irineo) e o Pe. João Manoel Sperandio (atual Monsenhor André).






Em 8 de setembro de 2000, Monsenhor Nektários Selalmazidis, à época Vigário Geral no Brasil e atualmente Arcebispo da Igreja de Jerusalém, Exarca Patriarcal em Constantinopla, encaminhou correspondência ao Monastério de Santa Catarina do Sinai, recomendando a missão do Reverendo Padre Angelos Kontaxis.
A carta manifesta apoio às tratativas relacionadas ao pedido catarinense referente à relíquia da Santa Megalomártir Catarina.
Em carta datada de 25 de setembro de 2000, o Governador Esperidião Amin agradece providências adotadas visando ao translado para Florianópolis da relíquia de Santa Catarina, mencionando a generosa colaboração do Arcebispado do Monte Sinai.
Poucos dias depois, em 3 de outubro de 2000, novo ofício foi dirigido ao Arcebispo Damianos, do Monastério de Santa Catarina do Sinai, credenciando Monsenhor Angelos G. Kontaxis para receber oficialmente a santa relíquia em nome do Estado de Santa Catarina.
O documento registra que tal gesto seria motivo de grande honra para o povo catarinense.












Em resposta datada de 16 de outubro de 2000, o Arcebispo Damianos comunica haver atendido ao pedido formulado em favor de Santa Catarina.
O Monastério do Sinai declara ter concedido um fragmento das relíquias de Santa Catarina de Alexandria:
Este documento constitui peça central da história das relíquias em Santa Catarina.
Em nova correspondência, o Governador Esperidião Amin agradece ao Arcebispo Damianos pela honrosa concessão da relíquia da «venerada Padroeira do nosso Estado».
A carta também agradece a acolhida dispensada ao representante catarinense durante a missão realizada no Sinai.

Sarcófago, no interior do Monastério Ortodoxo Santa Catarina de Alexandria, no Monte Sinai (Egito) onde repousam os seus restos mortais.
No início de 2001, foi emitido Certificado de Autenticidade pelo Monastério de Santa Catarina do Sinai.
O documento declara que, em outubro de 2000, pequena relíquia da Santa Grande Mártir Catarina foi entregue ao Reverendo Padre Angelos Kontaxis:
Posteriormente, o certificado foi encaminhado à Presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Com o passar dos anos, a presença das relíquias passou a integrar a memória religiosa e institucional catarinense, sendo reconhecida por diferentes autoridades civis e eclesiásticas.
Em tempos mais recentes, sua presença passou a ser associada publicamente ao contexto devocional da Capela Ecumênica existente no âmbito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.





Ao longo dos anos consolidou-se, em Florianópolis, gesto ecumênico digno de nota: por ocasião da festa de Santa Catarina, membros do clero ortodoxo conduzem as relíquias para celebrações no centro da cidade, com acolhida fraterna da Catedral Metropolitana de Florianópolis e procissão pública pelas ruas centrais.
Tal tradição manifesta:





Presidente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Desembargador Rubens Schulz, e do 3º Vice-Presidente, Desembargador Márcio Rocha Cardoso. Estão acompanhados, respectivamente, por Dom Irineo de Tropaion e Henrique Verçoza (Vice-Presidente da AHSC); e pelo Monsenhor André (Reitor da Paróquia São Nicolau) e Dr. Andréas Evangelos Karabalis (Presidente da AHSC).
Em 16 de abril de 2026, representantes da Igreja Ortodoxa Grega e da comunidade helênica catarinense foram recebidos pela Presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, em encontro marcado por cordialidade e espírito construtivo.
Participaram do encontro:
Pelo Tribunal de Justiça:
Pela comitiva eclesial e comunitária:
O encontro reafirmou a importância histórica, espiritual e cultural das relíquias para Santa Catarina.










Ao longo dos séculos, diversas igrejas cristãs em diferentes países podem conservar pequenas relíquias atribuídas a Santa Catarina de Alexandria.
Todavia, a relíquia cuja trajetória se descreve neste histórico possui identidade própria e singular, por estar documentalmente vinculada:
Essa especificidade histórica merece ser conhecida e preservada.
As relíquias de Santa Catarina de Alexandria em nosso Estado representam precioso testemunho do vínculo entre fé, história e vida pública.
Sua memória documentada convida à gratidão para com todos os que contribuíram para essa história e estimula a continuidade de relações marcadas pela verdade, pelo respeito mútuo e pela caridade cristã.

Relicário, ícone de Santa Catarina e pedra proveniente do Monte Sinai, na Capela Ecumênica.
13 de junho de 2000 — Pedido oficial do governador (PDF)
8 de setembro de 2000 — Recomendação de Monsenhor Nektários (PDF)
25 de setembro de 2000 — Carta do governador a Monsenhor Angelos (PDF)
3 de outubro de 2000 — Credenciamento para a missão (PDF)
16 de outubro de 2000 — Concessão pelo Monastério (PDF)
20 de novembro de 2000 — Agradecimento do governador (PDF)
2001 — Certificado de Autenticidade e encaminhamento ao Tribunal (PDF)
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