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Rua Tenente Silveira, 494 — Centro
Florianópolis/SC — Brasil
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A presença das relíquias de Santa Catarina de Alexandria em Florianópolis é sustentada por uma sequência de registros civis e eclesiásticos produzidos entre 2000 e 2001. Considerados em ordem cronológica, esses documentos permitem acompanhar o percurso desde a iniciativa catarinense até a concessão pelo Monastério do Sinai, a emissão do Certificado de Autenticidade e sua posterior presença na Capela Ecumênica.
Mais do que recordar datas, esta cronologia procura distinguir aquilo que cada documento efetivamente registra.

Selecione uma data para abrir os detalhes do registro.
O governador Esperidião Amin Helou Filho recebe uma comitiva da Igreja Ortodoxa Grega, liderada pelo então Metropolita Gennadios, Arcebispo de Buenos Aires e América do Sul.
Durante o encontro surge a possibilidade de solicitar ao Monastério de Santa Catarina, no Sinai, uma relíquia da Padroeira do Estado. O Metropolita orienta que o pedido seja formalizado, e Monsenhor Angelos Kontaxis, Reitor da Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, assume a coordenação dos contatos.
O que este registro estabelece: o contexto em que nasceu a iniciativa e a participação da Igreja Ortodoxa desde sua origem.
O governador Esperidião Amin formaliza a iniciativa por correspondência oficial.
O documento solicita apoio para a obtenção de “uma pequena parte das relíquias dos restos mortais de Santa Catarina”, destinada à veneração em solo catarinense.
O que este documento estabelece: a existência de um pedido formal do Governo do Estado de Santa Catarina para obtenção da relíquia.
Monsenhor Nektários Selalmazidis, então Vigário Geral no Brasil, encaminha correspondência ao Monastério de Santa Catarina do Sinai recomendando a missão do Pe. Angelos Kontaxis e manifestando apoio às tratativas relativas à relíquia da Santa Megalomártir.
O que este documento estabelece: a continuidade da mediação eclesiástica ortodoxa junto ao Sinai e o reconhecimento da missão confiada a Monsenhor Angelos.
Em nova correspondência, o governador agradece as providências que vinham sendo adotadas para o translado da relíquia a Florianópolis e menciona a colaboração do Arcebispado do Monte Sinai.
O que este documento estabelece: nessa data, o processo já havia avançado das manifestações iniciais para providências concretas destinadas à vinda da relíquia.
O governador dirige novo ofício ao Arcebispo Damianos, do Monastério de Santa Catarina do Sinai, credenciando Monsenhor Angelos G. Kontaxis para receber oficialmente a santa relíquia em nome do Estado de Santa Catarina.
Este documento merece especial atenção porque identifica formalmente quem representava o Estado na missão de recebimento.
O que este documento estabelece: Monsenhor Angelos, sacerdote e Reitor da Igreja São Nicolau, recebeu também credenciais civis para representar oficialmente o Estado de Santa Catarina nesse ato.
Durante a missão, os monges recusam a proposta de um memorial e também a possibilidade de instalação da relíquia no Palácio do Governo.
O Arcebispo Damianos condiciona sua concessão à existência de uma capela ecumênica. O relato registra ainda como condições:
O que este registro estabelece: a concessão não foi tratada como transferência incondicionada; foi acompanhada de exigências relacionadas à finalidade religiosa, à responsabilidade, à guarda e ao acesso à relíquia.
Documento de particular importância: entre as condições estabelecidas encontra-se a assinatura do “DOCUMENTO DE RESPONSABILIDADE DA IGREJA E DA COMUNIDADE HELÊNICA DE FLORIANÓPOLIS”. Seu conteúdo integral ainda precisa ser localizado e reunido aos demais registros desse processo.
O Arcebispo Damianos comunica formalmente que o pedido foi atendido.
O documento registra a concessão de um fragmento das relíquias de Santa Catarina de Alexandria:
O que este documento estabelece: a concessão pelo Sinai e a finalidade espiritual e eclesial expressamente atribuída ao gesto: como bênção espiritual para a Igreja Ortodoxa local, para benefício dos cristãos do Estado e como gesto fraterno dirigido ao Brasil e à América do Sul.
O Diário Catarinense noticia o retorno de Monsenhor Angelos e registra a chegada das relíquias provenientes do Monastério de Santa Catarina. O periódico menciona também a recepção do sacerdote por um grupo de cristãos ortodoxos no Aeroporto Internacional Hercílio Luz.
O que este registro estabelece: constitui testemunho contemporâneo à chegada da relíquia a Florianópolis e à participação da comunidade ortodoxa em sua recepção.
Monsenhor Angelos apresenta-se ao governador Esperidião Amin no Palácio Santa Catarina. O encontro é seguido pela cerimônia realizada na Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau, com a participação de autoridades civis e do então presidente do Tribunal de Justiça.
É nesse contexto que se estabelece a participação do Poder Judiciário na etapa seguinte da história: a destinação de um espaço religioso para acolher a relíquia.
O governador Esperidião Amin dirige correspondência ao Arcebispo Damianos agradecendo a concessão da relíquia da “venerada Padroeira do nosso Estado” e a acolhida oferecida a Monsenhor Angelos durante sua missão.
O que este documento estabelece: o Governo do Estado reconhece formalmente que a concessão pelo Monastério havia sido efetivada e agradece tanto o gesto quanto a recepção de seu representante.
O Monastério de Santa Catarina do Sinai emite um Certificado de Autenticidade.
Segundo o registro, o certificado declara que, em outubro de 2000, uma pequena relíquia da Santa Grande Mártir Catarina havia sido entregue ao Reverendo Padre Angelos Kontaxis:
Posteriormente, o certificado foi encaminhado à Presidência do Tribunal de Justiça.
O que este documento estabelece: identifica o sacerdote que recebeu a relíquia, reconhece o pedido governamental e registra expressamente uma destinação eclesial para sua veneração.
Este documento deve ser lido juntamente com o ofício de 3 de outubro de 2000 e com a comunicação de 16 de outubro: os três registram dimensões diferentes e complementares do mesmo processo.
A Presidência do Tribunal de Justiça regulamenta o uso da Capela Ecumênica Santa Catarina de Alexandria por meio da Resolução GP n. 46/2001.
O que este documento estabelece: a institucionalização, no âmbito do Poder Judiciário, do espaço religioso que passaria a estar associado à guarda e veneração da relíquia.
A Capela Ecumênica Santa Catarina de Alexandria é inaugurada no contexto das celebrações da Padroeira. Naquela ocasião ocorre também a recepção da relíquia no novo espaço.
Os registros institucionais identificam o altar lateral direito da Capela como o lugar destinado à relíquia.
Há versões distintas, em fontes do próprio Tribunal de Justiça, acerca do momento em que essa destinação foi definida: uma delas apresenta a Capela como construída para abrigar a relíquia; outra, posterior, recorda que sua construção já estava em andamento quando surgiu a necessidade de encontrar um espaço adequado para recebê-la. Essa diferença diz respeito à história da construção e da destinação da Capela e poderá ser esclarecida pelo exame dos registros administrativos da época.
O que estes registros estabelecem: em novembro de 2001, a Capela Ecumênica já se encontrava institucionalmente vinculada à guarda e à veneração da relíquia.
Quando esses registros são colocados lado a lado, alguns fatos aparecem com particular clareza:
A documentação, entretanto, não autoriza por si só uma conclusão definitiva sobre propriedade jurídica, posse permanente ou eventual transferência integral de responsabilidades entre as instituições envolvidas. Para responder a essas questões será necessário localizar e examinar especialmente o Documento de Responsabilidade da Igreja e da Comunidade Helênica de Florianópolis e, se existentes, os atos posteriores relacionados à destinação das relíquias, à sua guarda e às responsabilidades assumidas pelas instituições envolvidas.
Essa distinção é essencial. A sequência documental permite reconstruir com segurança o pedido, a mediação eclesiástica, a missão, a concessão e sua finalidade religiosa. O aprofundamento necessário diz respeito às condições e responsabilidades institucionais que acompanharam essa história e ao modo como foram posteriormente exercidas.
A cronologia não termina em 2001. As relíquias continuaram presentes na vida religiosa de Florianópolis, nas celebrações da Padroeira, na Igreja São Nicolau, na Capela Ecumênica e nos encontros realizados com outras comunidades cristãs.
Em 2026, essa história voltou a reunir representantes da Igreja Ortodoxa, da Comunidade Helênica e do Tribunal de Justiça.
Por isso, o último capítulo deste dossiê não será propriamente uma conclusão. Será a continuidade de uma história iniciada há mais de vinte e cinco anos.
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