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Rua Tenente Silveira, 494 — Centro
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Rudyard Kipling
O poema «Se…» foi escrito em 1895 pelo escritor anglo-indiano Rudyard Kipling (Prêmio Nobel de Literatura – 1907) e publicado pela primeira vez em 1910 numa coletânea de contos e poemas intitulada “Rewards and Fairies”.
Se és capaz de manter a tua calma quando todo o mundo ao teu redor já a perdeu e te culpa; de crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no entanto achar uma desculpa; se és capaz de esperar sem te desesperares, ou, enganado, não mentir ao mentiroso, ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares, e não parecer bom demais, nem pretensioso; se és capaz de pensar –sem que a isso só te atires, de sonhar –sem fazer dos sonhos teus senhores. Se encontrando a desgraça e o triunfo conseguires tratar da mesma forma a esses dois impostores; se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas em armadilhas as verdades que disseste, e as coisas, por que deste a vida, estraçalhadas, e refazê-las com o bem pouco que te reste; se és capaz de arriscar numa única parada tudo quanto ganhaste em toda a tua vida, e perder e, ao perder, sem nunca dizer nada, resignado, tornar ao ponto de partida; de forçar coração, nervos, músculos, tudo a dar seja o que for que neles ainda existe, e a persistir assim quando, exaustos, contudo resta a vontade em ti que ainda ordena: “Persiste!”; Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes e, entre reis, não perder a naturalidade, e de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes, se a todos podes ser de alguma utilidade, e se és capaz de dar, segundo por segundo, ao minuto fatal todo o valor e brilho, tua é a terra com tudo o que existe no mundo e o que mais –tu serás um homem, ó meu filho!
Fonte: Revista Prosa, Verso e Arte.