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Rua Tenente Silveira, 494 — Centro
Florianópolis/SC — Brasil
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A Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau de Florianópolis participou das tratativas e da missão que trouxeram as relíquias de Santa Catarina de Alexandria do Sinai. Essa ligação permanece na documentação do Monastério e na vida de oração e veneração da comunidade.
Foi o então Reitor, Monsenhor Angelos Kontaxis, quem assumiu a coordenação dos contatos eclesiásticos e, posteriormente, viajou ao Egito para receber a relíquia. Em 3 de outubro de 2000, foi formalmente credenciado pelo governador Esperidião Amin para recebê-la em nome do Estado de Santa Catarina.
No início de 2001, o Monastério de Santa Catarina do Sinai emitiu um Certificado de Autenticidade referente à relíquia entregue a Monsenhor Angelos.
Segundo o registro disponível, o documento declara que, em outubro de 2000, uma pequena relíquia da Santa Grande Mártir Catarina havia sido entregue ao sacerdote:
Ela demonstra que o pedido oficial do Governo e a finalidade eclesial da relíquia não aparecem na documentação como realidades excludentes. O próprio certificado reúne as duas dimensões: reconhece o pedido do governador e, simultaneamente, registra como destino de veneração uma igreja ortodoxa de Florianópolis.
O certificado foi posteriormente encaminhado à Presidência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.
Essa indicação documental corresponde também ao papel efetivamente desempenhado pela Igreja São Nicolau. Foi a partir da comunidade ortodoxa de Florianópolis que Monsenhor Angelos coordenou os contatos necessários à missão. Foi como sacerdote ortodoxo que ele se apresentou ao Monastério e dialogou com sua comunidade monástica. E foi na Igreja São Nicolau que, depois do retorno do Sinai, ocorreu uma das cerimônias públicas mais importantes relacionadas à chegada da relíquia.
Também por isso merece particular atenção a condição registrada durante as negociações no Sinai: a transferência dependeria da assinatura de um “DOCUMENTO DE RESPONSABILIDADE DA IGREJA E DA COMUNIDADE HELÊNICA DE FLORIANÓPOLIS”, além das garantias de guarda, segurança e acesso público.
Lido juntamente com o Certificado de Autenticidade de 2001, esse registro evidencia a ligação entre a concessão da relíquia e a comunidade ortodoxa. A extensão das responsabilidades mencionadas depende do exame integral do documento, como explicado em A concessão da relíquia e suas condições.
A posterior destinação de uma relíquia à Capela Ecumênica Santa Catarina de Alexandria, no Tribunal de Justiça, não rompeu a ligação das relíquias com a Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau e com a comunidade ortodoxa de Florianópolis.
As relíquias de Santa Catarina encontram-se presentes nos dois espaços. Na Igreja São Nicolau conserva-se uma relíquia da Santa, inserida na vida litúrgica e na veneração da comunidade. Na Capela Ecumênica encontram-se a relíquia conservada no relicário e uma partícula da Santa incrustada no ícone oferecido pelo Monastério do Sinai, além da pedra trazida do Monte Sinai por Monsenhor Angelos.
A presença das relíquias nesses dois lugares não constitui, portanto, histórias separadas. Ambas permanecem vinculadas à mesma relação espiritual e eclesial estabelecida entre Florianópolis e o Monastério de Santa Catarina do Sinai, iniciada com as tratativas que conduziram à missão de Monsenhor Angelos e prolongada, desde então, na veneração da Santa.
Por ocasião da festa da Santa, suas relíquias são conduzidas para celebrações no centro de Florianópolis, acolhidas na Catedral Metropolitana e levadas em procissão pelas ruas da cidade. Essa tradição tornou-se um significativo momento de encontro entre cristãos em torno da memória da Padroeira de Santa Catarina.
A Igreja Ortodoxa participa desses acontecimentos não apenas por meio de seu clero local. Com raras exceções, as celebrações têm contado com a presença do Arcebispo Metropolitano de Buenos Aires e América do Sul, acompanhado pelos sacerdotes da comunidade; quando impossibilitado de estar presente, o Metropolita confia essa representação a seu Bispo Auxiliar.
As relíquias não aparecem, assim, simplesmente como peças de um acervo institucional. Continuam inseridas na vida da Igreja e destinadas à veneração cristã, conforme a própria finalidade religiosa que acompanhou sua concessão.
Nesse contexto, a Igreja Ortodoxa conserva um papel próprio: seus hierarcas e sacerdotes participam da condução e veneração das relíquias e das celebrações ligadas à memória da Santa, em fraterna convivência com a Igreja Católica Romana, num testemunho ecumênico que aproxima as duas comunidades cristãs sem apagar a identidade e a tradição próprias de cada Igreja.
A trajetória das relíquias em Florianópolis não se deixa reduzir, portanto, a uma única instituição. O Governo do Estado formulou o pedido oficial. O Monastério do Sinai concedeu a relíquia. A Igreja Ortodoxa realizou a mediação e a missão que tornou possível sua vinda. A Igreja e a Comunidade Helênica de Florianópolis aparecem expressamente vinculadas às responsabilidades exigidas no Sinai. O Tribunal de Justiça passou a oferecer à relíquia um espaço institucional de guarda e veneração na Capela Ecumênica.
Esse conjunto de responsabilidades ajuda a compreender por que a documentação precisa ser considerada em seu conjunto.
Especialmente importantes são três elementos que já podemos colocar lado a lado:
Esses documentos não precisam ser forçados a dizer mais do que dizem. Considerados conjuntamente, porém, constituem a base documental para compreender a singular relação entre o Estado de Santa Catarina, a Igreja Ortodoxa Grega São Nicolau e a relíquia proveniente do Monte Sinai.
É justamente aos documentos — apresentados agora em sua sequência temporal — que devemos recorrer para prosseguir esta história.
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